Então é isso, pessoal. Aí vai o apito final. As últimas notas foram cantadas e a Vida do mundo foi completa e abolutamente Vivida.
Resumir dois anos da sua vida em algumas poucas palavras é mais ou menos como tentar cortar a grama usando nada além de um tesoura. Eu até poderia tentar, mas eu logo ficaria com os dedos doloridos e desistiria. Tudo o que sei é que estou pronto para um dia ou dois de sono…
De cabeça, diria que esse vou lembrar desse projeto como aquele em que o Coldplay finalmente fez amizade com os shows em estádios. Eles ainda não se juntaram à guarda tradicional dos shows de grandes sucessos. Na categoria shows em estádio, eles também não entrariam ainda na corrida da venda de ingressos para superar “a turnê dos Stones em 1998 - a que tivera maior alcance até então…”
Tudo isso, é claro, pode ainda estar por vir – e por que não? Esse negócio é divertido. Mas dessa vez, o enfoque foi as músicas. Esse álbum mais recente tem alguns de seus tranalhos mais intensos nesse quesito. Cada noite era uma celebração das melodias – e que festa tivemos…
Deslocando o zoom na temporada mais recente da turnê, posso dizer que cada público estava magnífico. Shows ao ar livre também fazem muito sentido sob céus agradáveis e aconchegantes – especialmente com um punhado maravilhosamente insano das pessoas mais apaixonadas do mundo indo à loucura noite-a-noite.
Diria que essa foi uma das cargas horárias mais punitivas a que fomos encarregados nessa turnê – nenhum dia de folga propriamente dito, desde o primeiro show, para pegar um avião para casa. Mas eu tenho a sensação que a versão do meu eu que executou a missão-pinball de dez dias “Londres –> Grammy em Los Angeles –> Brits em Londres –> Austrália” pode ser um bom rival.
Afuniclando mais, o show final foi testemunha de magníficos figurinos – não por parte da banda, mas por parte da equipe. Geralmente se pede que o pessoal que tem de emergir e submergir no palco para fazer suas tarefas vista só roupas pretas e bonés ou qualquer outro chapéu. Hoje, comemorando os anfitriões mexicanos, as sete pessoas da equipe que estão sempre no palco adotaram o visual mariachi.
Acho que parte da razão de eu não estar sentimental e filosófico em relação ao fim da era Viva (tirando o fato de que estamos ensaiando uma separação desde Wembley), é que todos estão empolgadíssimos para saber o que vai acontecer depois. Você podia perdoar os caras por irem cada um para um lado no final da turnê e aproveitar os espólios por um tempinho antes de se juntarem de novo para preguiçosamente começar a compor algo novo. Uma vez que se trata do Coldplay, porém, chegamos em casa no sábado e, desde segunda, mal consigo ver a Beehive ganhar sequer um momento de paz.
Estamos de um pessoal que não PRECISA voltar ao trabalho, para não mencionar trabalhar tão arduamente quanto eles trabalham. A única coisa que você pode concluir é que ouvir o novo material ganhar forma é a coisa mais instigante que eles podem pensar em fazer. Bom, vocês poderiam concluir também que eles são meio doidos de pedra – e você meio que pode ter um pouco de razão – mas eu também mal posso esperar, então trata-se claramente de uma epidemia.
Outra razão para eu não ter a sensação de que está tudo acabado é que eu vou estar bem aqui deixando vocês informados com o que está acontecendo na Beehive. Não é o fim, estamos apenas longe por uns tempos das boas temperaturas.
Vejo vocês no estúdio…
R#42

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