24
jun

#42 assiste o Coldplay criar

   Postado por: Viva La Coldplay  em: Roadie #42

Saudações de dentro do Beehive pessoal. Estou à minha mesa, que fica escondida atrás de um dos pianos. Atrás de mim ficam dois velhos sofás surrados. Esta área “lounge”, como é conhecida, é onde se iniciam todos os dias de gravações, começando, como todo dia deveria, com café forte.

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Eu abordei no último blog as diferentes maneiras de se fazer um disco. Essas conversas iniciais são parte essencial do processo também. A banda passa muito tempo do dia tocando ao vivo. Essas discussões antecipadas, portanto, significam que todo mundo tem uma boa idéia do que estão tentando alcançar antes das coisas começarem a ficar barulhentas.

A discussão sobre a música de hoje está a todo vapor. Guy, Will, Chris e Phil estão com o produtor Markus Dravs. Jonny já está sentado em seu mundo de guitarras experimentando com novos sons. Sua guitarra está conectada em seu laptop. O que sai na outra ponta soa como se estivesse vindo de outro planeta.

Chris está discutindo apaixonadamente a música que será trabalhada hoje. É uma canção que o tem animado desde que ela surgiu e de repente ele está tendo grandes dúvidas se ela acabará no disco ou não. Em um estilo típico do Chris, ele chega ao meio de uma frase descrevendo suas preocupações até se interromper para gritar com o Jonny.

“Puta que pariu cara, isto é INCRÍVEL – Rik, certifique-se de que isto está sendo gravado…”

Ele continua de onde parou sem perder o ritmo, simultaneamente mantendo o desespero e a animação desenfreada. Um verdadeiro multi-tarefas…

Will e Guy, acertadamente, se recusam a aceitar a abordagem assustadora da faixa atual. Claramente será uma canção poderosa, ela apenas não achou ainda seu verdadeiro tom.

Não será surpresa para ninguém encontrar momentos de perda de confiança durante o desenvolvimento de uma música. É apropriado para este estágio e o sentimento pode surgir do nada e desaparecer do mesmo jeito. “Momentos” é exatamente o que eles são. A vibe geral é decididamente positiva aqui, com todos bastante animados com o que estão ouvindo.

Will é frequentemente citado como o membro da banda mais provável de dizer “não” para o Chris, ou de rejeitar uma idéia completamente. Eu sempre senti que essa é uma descrição injusta. Ele é igualmente teimoso e confiante para dizer “não, isso não é uma merda, de forma alguma. Vai ficar ótimo”. Essa recusa em retroceder e permitir que a dúvida prevaleça é parte essencial da espinha do Coldplay. Eu não posso imaginar como essa atitude tem sido essencial para o produto final nos últimos anos.

O Guy também pode observar o trabalho em progresso e contribuir com a sua própria experiência como produtor. Ele costuma ser descontraidamente provocado pelos outros pelo seu imenso arsenal de atividades extracurriculares, porém, a verdade é que, sua visão do processo de produção lhe permite analisar as qualidades, fraquezas e abordagens alternativas de forma pontual e essa experiência e conhecimento alimenta diretamente o projeto Coldplay.

Eles começam a discutir o que faz uma excelente canção ser excelente e o que eles gostariam de tentar na ocasião. Fica claro que não só os quatro têm um grande conhecimento de boa música, mas que eles ainda são muito animados com isso. Eles são admiradores de uma grande quantidade de artistas.

Galvanizados pela conversa, eles se mudam para a parte principal da sala e começam a pegar seus instrumentos. Tenho que dizer que esta área do Beehive está com um visual incrível agora. Em um esforço de amortecer o som, foram penduradas cortinas pesadas nas paredes e bonitos tapetes foram colocados no chão.

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Também enfeita o ambiente uma gama de plantas, fornecendo ao local uma sensação de um conservatório ou de um jardim botânico. Essa sensação é reforçada pelo calor de verão e pelo fato do ar condicionado estar simplesmente alto demais para você se ouvir pensando.

A banda está disposta da mesma maneira que estariam em um palco, com Will atrás e Jonny, Chris e Guy alinhados à sua frente. Esse lugar é o local de ensaios mais descolado que eles já tocaram. Eles começam a trabalhar na música novamente. Como sempre, quando as vozes se calam e a música começa, tudo imediatamente começa a ficar melhor.

Esta, e todas as outras músicas certamente passarão por muito mais remodelagens e adulações antes de emergirem das portas do Beehive para o mundo.

Por enquanto, está claro que o disco está em excelentes mãos.

R#42

3
jun

#42 retorna com novidades do estúdio

   Postado por: Viva La Coldplay  em: Roadie #42

Blog #120

Saudações de Budapest. Estou chegando ao fim de uma pausa de duas semanas do estúdio. Estamos de volta na segunda-feira. Saúdo-os levantando a cabeça e implorando perdão. Sim, sete semanas é um tempo imoralmente longo para deixá-los pendentes. Independente de ser um civil essas duas semanas, minha distração principal foi que eles me pediram para ficar mais envolvido na engenharia da gravação. Isto significa que passei grande parte do tempo tentando planejar exatamente onde as coisas se ligam e mais importante, por quê.

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Estou longe o suficiente da curva de aprendizagem agora, entretanto, retorno para minha atividade principal de manter vocês, pessoas maravilhosas, informados do desenvolvimento. Se vocês me perdoarem desta vez, prometo que quando fizermos isso de volta próxima semana eu irei mais que compensá-los – como é aquilo? ;-)

De qualquer maneira, chega de desculpas, o que vem acontecendo? Bem, “your skin and bones, turn into something beautiful….’’ foi o primeiro gancho que o Coldplay mergulhou em muitas pessoas – e isso muito perfeitamente descreve também a evolução ao longo do último mês.

Com o projeto de ter algo a reiniciar depois da América Latina, eles estão muito de volta à frase exploratória de novo. Como descrito no blog anterior, há uma lista de canções agora e essas canções tem versos, refrões, riffs, letras e assim por diante. Esses são os materiais crus, no entanto. Não refinado e inacabado, esta é a pele e os ossos do álbum, se assim quiser. A parte “turn into something beaultiful {se transforma em algo bonito}’’, é o resultado de duas metodologias.

A primeira é uma enorme quantidade de puro trabalho duro e atenção a detalhes. Brian Eno chama isso de “trabalho chave de fenda’’ e ele não é muito fã disso. É a habilidade real da fase de composição. Tudo é tentado e mudado, analisado e re-avaliado. Todos em busca de um caminho que trará a magia que eles estão procurando. Não deixar pedra sobre pedra significa que o ilusório “arranjo perfeito’’ ou “colocar as coisas no lugar certo’’ será alcançado não importa quanto trabalho é necessário para se chegar lá.

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O Segundo método é o relâmpago de “acidentes felizes’’. Às vezes, a coisa que incendeia uma música parece sair completamente do nada – e você precisaria repassar muitas vezes os passos apenas para descobrir exatamente quem o desencadeou. Isso poderia ser tão simples quanto alguém tocando com o som errado por engano, ou poderia ser Will improvisando distraidamente na sua bateria e Chris colocando isso sobre um verso de uma canção de outro dia.

Ambas as coisas fazem o álbum feito e nenhuma pode ser invocada pela tentativa da outra. Ficar à toa esperando por inspiração não torna o trabalho duro feito e longas conversas e caminhos metódicos podem desperdiçar horas quando um simples estalo de brilhantismo pode mudar tudo em um instante.

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É este crescimento e evolução das canções no estúdio que eu nunca havia testemunhado antes (anteriormente, só estive com os caras na estrada). Eu lembro primeiramente de ter ouvido Lost! durante a turnê X&Y. Estávamos em uma arena vazia uma tarde em Chicago. Chris me pediu para gravar um monte de demos com apenas ele no palco no lugar vazio no piano que ele toca no show. Ele anota cerca de uma dúzia de idéias aquele dia, mas eu lembro de Lost! transpondo em mim imediatamente como uma grande canção, mesmo apenas como um esboço em uma arena que ecoa.

A vez seguinte que ouvi Lost! foi quando o álbum tinha ficado completo e estávamos fazendo os preparativos para a turnê. Foi como ver o sobrinho favorito pela primeira vez após anos e dizendo “como você cresceu’’. (Embora eu me lembre corretamente, minha frase exata no momento foi “Wow, eu sempre amei essa canção estou muito feliz de vocês não terem acabado com ela…’’). Já há muitas melodias para este próximo álbum que todos estão de olho – e claramente não há intenção absoluta de acabar com elas.

Em outras notícias, Brian vem perdendo terreno regularmente, mas também tem deixado a banda avançar com as coisas sozinha. É notável que ele esteja tendo tanto efeito sobre a gravação quando ele não está aqui quanto quando ele está. A banda observou há pouco tempo que muito frequentemente quando eles estavam trabalhando sem ele e ficando presos, eles pensariam em algo que ele diria e aplicariam isso, fazendo-os “passar o mais difícil’’.

Para este fim, eles pediram a Brian para propor dez mandamentos que poderiam ficar na parede e poderiam ser aplicados para cada dilema. Claro que isto não é novidade, as Cartas de Estratégia Oblíqua de Brian são por si mesmo tão famosas quanto muitas peças de equipamento do estúdio. Aqui, no entanto, os dez mandamento de Brian (os quais naturalmente eram onze) estão adaptados a este projeto e fornecem fortes orientações para como essas canções vão crescer.

Assim como a cada criança precisa ser mostrado o certo e errado, as canções estão agora livres para expressar a si mesmas em qualquer forma que eles escolherem – embora sabendo que se eles estão presos fazendo o que sabem eles não deveriam, eles estariam ficando com um olhar fixo no mínimo. Eu vi Chris em mais de uma ocasião ficar no meio do caminho tocando algo muito enfeitado ou “feito antes’’, antes de cair na risada e balançando sua cabeça, dizendo “Tudo que posso ouvir por trás da minha cabeça é Brian me repreendendo’’.

Tem que ser dito, que pela banda inteira, as personificações de Eno estão se tornando muito estranhas.

Tudo isso naturalmente, faz soar como se Brian fosse um pouco tirânico e negativo, o que simplesmente não poderia estar mais longe da verdade. Quando ele chega na sala de controle do estúdio ele traz consigo seu próprio brilho de entusiasmo portátil. Seu entusiasmo é muito contagiante e viciante. Ele é como um colega de escola desobediente que incentiva qualquer um que ele entra em contato a tentar coisas que talvez eles não fizessem, ou talvez ir explorar algum lugar excitante que seus pais haviam dito para ficar longe dele. Ele é uma verdadeira dicotomia, parte professor benevolente (aceno para Phil…) e parte maravilhosamente má influência. Ele interpreta os dois papéis muito bem e os resultados falam por si.

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Então, estamos em descanso por duas semanas, dando a todos a chance de passar algum tempo com suas famílias. Como antes, um intervalo no procedimento feito por um grande prazo e o prazo se torna um grande motivador. As mais recentes semanas foram um esforço real para empurrar cada canção para um lugar que todos estavam esperando.

Qualquer coisa que não é tão boa quanto a atual canção favorita recebe forte foco. Os problemas assumem o centro das atenções de modo que eles não podem esconder. Um verso que não está fluindo normalmente no caminho pode ter um dia inteiro de atenção – as chaves de fenda têm suficientemente e verdadeiramente saído.

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A guerra em curso nos obstáculos à grandeza foi ainda aumentada com a chegada de Markus Dravs. Ele estava de volta ao campo pelos últimos dias antes da pausa. Eu o vi referido como “Instrutor Dravs’’ em um dos quadros do estúdio e agora eu posso ver por quê. Ele não é de deixar as pessoas de folga. Markus, para aqueles que não sabem, é alemão.

Sua compreensão da língua inglesa é perfeita – ainda que se estenda bem abaixo do caminho de uma ótima apreciação do seco humor britânico. Quando ele estava estudando o livro de expressões, entretanto, ele aparenta não ter entendido as frases “que eu irei fazer’’ ou “bom o suficiente’’. Não imagino que ele nunca pronunciou as palavras “não posso ser incomodado’’ também. Não admira que ele se encaixa muito bem por aqui…

Para terminar a última semana antes das férias, Rik foi convidado a unir “mixagens’’ de todas as canções em andamento. A banda e Markus sentaram para ouvir tudo no último dia. O plano é trabalhar até o fim cada uma das canções em andamento – ouvi-las, discuti-las e então tocá-las juntos na sala.

Inevitavelmente, é um plano ambicioso e o dia passa despercebido antes deles alcançarem a lista inteira. Algo muito interessante acontece quando eles fazem isso ouvindo as primeiras canções.

Depois de semanas e semanas de trabalho em pequenos detalhes, de apenas prestar atenção nas falhas, eles estão agora recuando e tentando objetivar a experiência o que eles fizeram até agora. Isso poderia ser enganoso, mas verdadeiramente deu a sensação que teve uma grande animação espalhada pela sala. Talvez tenha começado a aparecer nos caras que o que eles tem aqui é mais do que apenas uma coleção de intros, versos e refrões.

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As canções ainda não assumiram sua bela forma final, mas eles estão muito longe de sua fase pele e ossos. O que é impossível não concluir, no entanto, é que eles têm umas melodias matadoras. Não tenho idéia se os caras partiram para a pausa orgulhosos do que eles arquivaram até agora e animados com o que eles têm aqui, mas eu realmente espero. Eles deveriam estar.

R#42

16
abr

#42 espiando os possíveis títulos das músicas…

   Postado por: Viva La Coldplay  em: Roadie #42

Blog#119

Bem pessoal, passou um tempo e como as coisas mudaram! Como é muitas vezes o caso com o Coldplay, o que foi inicialmente pensado para ser um plano sólido e uma firme bússola torna-se notícia de ontem e uma roda giratória. Houve muita discussão na América Latina e o plano não foi muito puxado, assim como colocado sobre uma grande pilha de fogos de artifício enquanto a banda se refugiou a uma distância segura.

Como eu digo, essas mudanças sísmicas no cenário planejado acontecem o tempo todo aqui – é uma das melhores coisas sobre trabalhar com esses caras – nunca um momento tedioso. (Embora no calor das coisas isso possa às vezes parecer levemente perturbador). No entanto, isso geralmente acontece porque há algo tão emocionante que eles não podem resistir a dar tudo de si para isso, independentemente do que eles disseram na semana passada.

Agora que o plano foi estabelecido (palavras para atrair sorte…), há algumas possibilidades abertas para serem avançadas e fazerem sentido. Antes de sairmos para os shows da América Latina, o trabalho em andamento foi representado por um arquivo de áudio de músicas nos seus estados atuais. Agora, estamos de volta ao estúdio e seguindo uma nova estrela, tudo está mais uma vez nas paredes. Em outro esforço para esclarecer e simplificar todas as possibilidades, os nomes de cada idéia na corrida pela gravação têm sido escritos, cada um em seu pedaço de cartão.

Inevitavelmente, há um enorme número de cartões de canções. De pequenos momentos que foram tocados apenas uma vez a coisas que os caras tem tocado por meses, estão todos lá. Isso ajuda a clarear a mente das pessoas e relaxar o pânico de que as idéias que outrora animaram vão ser esquecidas. Contudo, isso pode produzir um novo problema. Há milhões deles.

Em um esforço de reduzir o sensação de ser oprimido por opiniões, os cartões são primeiro organizados na parede em condições A,B e C. As da lista A são canções que *tem* que ir para o álbum. As da lista B são canções que podem ou não. A lista C contém coisas que estão sendo deixadas – não esquecidas, mas que não são susceptíveis de serem trabalhadas imediatamente – elas irão encontrar um lar ou não. Phill Harvey, sempre o esportista, sugere que cada canção da lista A deveria tem uma canção na lista B que irá intervir se sua contraparte é considerada “não estar em boas condições”.

Ainda há muitos cartões. Está bagunçado e muito caótico. Corajosamente e decisivamente, as coisas estão privadas para apenas as músicas da lista A. Então, aqui está o álbum em sua forma atual:

Está decidido também que as da lista C deveriam estar fora de vista e de mente. Isto previne a constante atenção para coisas que não são prioridades. Elas não serão esquecidas, e podem ser colocadas para fora de novo a qualquer tempo. Contudo, tê-las fora da parede significa que as coisas estão muito mais manejáveis. Ao invés de uma explosão de mais idéias que poderiam possivelmente ser concluídas, isto agora parece um plano para como prosseguir.

Muito para o divertimento de Phill Harvey, Chris tem escondido as da lista C em uma prateleira alta no canto da sala de controle. Quando ele se refere a uma dessas canções por compensação, ele tem que subir em uma cadeira para alcançá-las. Phill diz “o esconderijo secreto de Chris das músicas de reserva”.

 

Isso me mantém pensando sobre todas as coisas que já ouvi pelo trajeto que nunca encontraram seu caminho em direção a uma gravação. Eu diria que Gravity é minha favorita das canções guardadas (embora ela tenha sido feita como um lado-B). Há muitas canções que tiveram seu lugar ao sol sendo tocadas ao vivo: Moses, Ladder To The Sun, Animals, Idiot, Swett Marianne - e a lista segue.

Estas são apenas as que eu os ouvi tocar. Algumas feitas para ser demo e nada mais, o que significa que a banda as ouviu e ninguém mais. Há o suficiente de inéditas para equipar uma carreira inteira de uma banda de muito sucesso. Esse seria um projeto interessante para um dia sair “todas as músicas que ficaram pelo caminho” – é como remexer o sótão do Coldplay.

Toda essa conversa de objetos abandonados e peças do passado porém, faz isso soar como se não houvesse nada de novo para informar, o que realmente não poderia estar mais longe da verdade. O atual projeto é sem dúvida a coisa mais ambiciosa que eu já vi a banda empreender. Embora de alguma forma, a extensão não tem sido intimidante tanto quanto inspiradora. As coisas estão focadas agora e podem ser pensadas em termos de trabalho acabado.

As idéias estão mais uma vez disparando como como uma roda de fogos (estamos novamente de volta aos fogos de artifício). As coisas estão se movendo em grande ritmo e o que está saindo das caixas de som tem deixado todos radiantes. Estou pensado o quanto o Chris tem sido disciplinado restringindo a si mesmo ao pequeno núcleo de canções na lista A, pensando que normalmente ele estaria desgastado e mexendo com cada pequena idéia, assegurando que tudo tem sido espremido com dificuldade para cada potencial gota de mágica.

Mais tarde, eu dou a Anchroman um passeio em Beehive. Fazemos isso de um andar muito alto e ele vê o lugar inteiro. Há mais uma porta antes de retirar-se para a cozinha e por a chaleira no fogo. Eu digo a ele que é apenas um pequeno quarto que pode acomodar somente uma pessoa. “É bom prara fazer ligações particulares, “Eu digo, “Ou se você quer ser deixado só para trabalhar em algo”. Eu balanço a porta aberta e percebo que não havia de fato um conjunto de “cartões de música”. Haviam dois.

Parece que espremer as gotas de magia não foi deixado pra trás. E agora tem sua própria oficina…

R#42

2
abr

Chris tem um pequeno projeto para #42

   Postado por: Viva La Coldplay  em: Roadie #42

Blog #118

Já falei antes sobre as diferenças entre as minhas experiências na turnê com a banda e o trabalho aqui no estúdio. O que chama mais atenção é que aqui você não sabe o que vem em seguida. Fazer turnê é mais ou menos repetitivo; o cenário muda bastante, mas a rotina diária está basicamente gravada em pedra.

Aqui no estúdio não é assim. Como seria de se esperar de um processo guiado pela mente criativa, há muito movimentação de uma coisa a outra. É difícil, se não impossível, prever o que está para acontecer e o que vão pedir para você fazer.

Assim, não deveria ser surpresa nenhuma que, na primeira hora do meu primeiro dia de volta depois da América do Sul, Chris tenha chegado a mim dizendo: “Tenho um pequeno projeto para você”. “Não sei bem se fico empolgado ou aterrorizado”, eu respondo.

“Eu queria que você construísse um sistema solar…”

Bem, acho que agora estamos oficialmente de volta….

R42

14
mar

E acham que tudo chegou ao fim…

   Postado por: Viva La Coldplay  em: Roadie #42

Blog#117

Então é isso, pessoal. Aí vai o apito final. As últimas notas foram cantadas e a Vida do mundo foi completa e abolutamente Vivida.

Resumir dois anos da sua vida em algumas poucas palavras é mais ou menos como tentar cortar a grama usando nada além de um tesoura. Eu até poderia tentar, mas eu logo ficaria com os dedos doloridos e desistiria. Tudo o que sei é que estou pronto para um dia ou dois de sono…

De cabeça, diria que esse vou lembrar desse projeto como aquele em que o Coldplay finalmente fez amizade com os shows em estádios. Eles ainda não se juntaram à guarda tradicional dos shows de grandes sucessos. Na categoria shows em estádio, eles também não entrariam ainda na corrida da venda de ingressos para superar “a turnê dos Stones em 1998 - a que tivera maior alcance até então…”

Tudo isso, é claro, pode ainda estar por vir – e por que não? Esse negócio é divertido. Mas dessa vez, o enfoque foi as músicas. Esse álbum mais recente tem alguns de seus tranalhos mais intensos nesse quesito. Cada noite era uma celebração das melodias – e que festa tivemos…

Deslocando o zoom na temporada mais recente da turnê, posso dizer que cada público estava magnífico. Shows ao ar livre também fazem muito sentido sob céus agradáveis e aconchegantes – especialmente com um punhado maravilhosamente insano das pessoas mais apaixonadas do mundo indo à loucura noite-a-noite.

Diria que essa foi uma das cargas horárias mais punitivas a que fomos encarregados nessa turnê – nenhum dia de folga propriamente dito, desde o primeiro show, para pegar um avião para casa. Mas eu tenho a sensação que a versão do meu eu que executou a missão-pinball de dez dias “Londres –> Grammy em Los Angeles –> Brits em Londres –> Austrália” pode ser um bom rival.

Afuniclando mais, o show final foi testemunha de magníficos figurinos – não por parte da banda, mas por parte da equipe. Geralmente se pede que o pessoal que tem de emergir e submergir no palco para fazer suas tarefas vista só roupas pretas e bonés ou qualquer outro chapéu. Hoje, comemorando os anfitriões mexicanos, as sete pessoas da equipe que estão sempre no palco adotaram o visual mariachi.

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Acho que parte da razão de eu não estar sentimental e filosófico em relação ao fim da era Viva (tirando o fato de que estamos ensaiando uma separação desde Wembley), é que todos estão empolgadíssimos para saber o que vai acontecer depois. Você podia perdoar os caras por irem cada um para um lado no final da turnê e aproveitar os espólios por um tempinho antes de se juntarem de novo para preguiçosamente começar a compor algo novo. Uma vez que se trata do Coldplay, porém, chegamos em casa no sábado e, desde segunda, mal consigo ver a Beehive ganhar sequer um momento de paz.

Estamos de um pessoal que não PRECISA voltar ao trabalho, para não mencionar trabalhar tão arduamente quanto eles trabalham. A única coisa que você pode concluir é que ouvir o novo material ganhar forma é a coisa mais instigante que eles podem pensar em fazer. Bom, vocês poderiam concluir também que eles são meio doidos de pedra – e você meio que pode ter um pouco de razão – mas eu também mal posso esperar, então trata-se claramente de uma epidemia.

Outra razão para eu não ter a sensação de que está tudo acabado é que eu vou estar bem aqui deixando vocês informados com o que está acontecendo na Beehive. Não é o fim, estamos apenas longe por uns tempos das boas temperaturas.

Vejo vocês no estúdio…

R#42

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